Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades.
Montagem/g1
O Ministério Público de São Paulo ofereceu nesta quinta-feira (3) nova denúncia por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica contra os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.
Os dois, que seguiam foragidos da Justiça até a publicação da reportagem, são apontados como chefes de um esquema criminoso que operava no setor de combustíveis. A TV Globo entrou em contato com as defesas dos denunciados e aguarda retorno.
O objetivo dessa ação é atingir a engrenagem financeira usada para ocultar o dinheiro das fraudes, que teriam sonegado mais de R$ 1 bilhão em ICMS.
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A denúncia, resultado da Operação Carbono Oculto, aponta o uso de um intrincado mecanismo financeiro. O esquema ia de empresas de fachada a fundos de investimento para mascarar o patrimônio ilícito.
Segundo o MP, os investigados tinham a pretensão de se estabelecer como uma potência sucroenergética na região, por meio do Grupo Itajobi.
Acusações e crimes antecedentes
Nesta ação penal específica, os alvos respondem pelos crimes de lavagem de capitais e falsidade ideológica.
A Promotoria detalha, no entanto, que o dinheiro ocultado e movimentado por meio de documentos forjados é fruto de uma série de práticas ilegais anteriores (chamados de crimes antecedentes).
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A origem principal dos recursos ilícitos seria a atuação da própria organização criminosa por meio da “fraude fiscal estruturada”, na qual o grupo simulava importações para sonegar impostos.
Além disso, o MP aponta que o dinheiro ilícito também vinha de crimes contra o consumidor — como fraudes em bombas e venda de combustível adulterado nos postos — e de infrações anteriores envolvendo a importação de nafta, um derivado do petróleo usado para adulterar combustíveis.
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Lavagem e ocultação
Para escoar o dinheiro gerado pelas fraudes, o grupo recorreu a três frentes no mercado financeiro, segundo o MP.
Primeiro, registrou dezenas de firmas em nome de laranjas. Somente uma das empresas teria movimentado R$ 15 bilhões operando como uma espécie de caixa dois.
Em seguida, contas de pagamento (fintechs) foram utilizadas para pulverizar os recursos. O esquema se valia de “contas bolsão” para camuflar a origem e o destino final do dinheiro, burlando o controle do Sistema Financeiro Nacional.
No topo da cadeia, os recursos desaguavam no mercado de capitais. Com a participação de uma gestora e de um advogado, o esquema criava fundos fechados para “blindar” o dinheiro, escondendo os verdadeiros beneficiários.
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Arte/g1
O rastro em Catanduva
Para ilustrar a velocidade da ocultação de bens, a denúncia detalha a compra de dois terrenos em Catanduva, no interior de São Paulo, por R$ 3,9 milhões, pagos à vista, em outubro de 2023.
A área abrigaria a sede do Grupo Itajobi, uma obra de grandes proporções classificada pela investigação como “faraônica”, que refletia a ambição do projeto.
O rastreamento do Gaeco mostra que o valor saiu de uma conta da distribuidora Aster (adquirida pela dupla em 2020 junto com a formuladora Copape) e passou por cinco contas distintas em apenas sete minutos. O destino final foi a conta da “empresa de prateleira” controlada por um advogado do grupo, que repassou o pagamento aos vendedores.
Os terrenos foram inicialmente registrados no nome da empresa desse advogado. Posteriormente, consumando as práticas de lavagem e falsidade, a firma teve o nome alterado e suas cotas transferidas para um fundo de investimento.
Para viabilizar a manobra, foi criada ainda uma nova empresa de fachada para atuar exclusivamente na condição de cotista desse fundo, distanciando definitivamente o patrimônio dos líderes foragidos.
O MP paulista pediu à Justiça a perda dos valores atrelados aos crimes e a fixação de reparação pelos danos causados.
Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/03/carbono-oculto-mp-denuncia-mohamad-hussein-e-beto-louco-por-lavagem-de-dinheiro-e-falsidade-ideologica-em-esquema-de-r-1-bilhao.ghtml
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